Publicado por: caduxis | 05/05/2010

Você sabe o que é Freeganismo?

Freegan Day

Freeganos são pessoas que adotam estratégias alternativas para viver, baseadas em uma participação limitada na economia, e consomem o mínimo possível de produtos. Os freeganos defendem a comunidade, a generosidade, o interesse social, a liberdade, e a ajuda mútua, à diferença do que, segundo eles, a atual sociedade – “baseada em materialismo, apatia moral, competição, conformismo e cobiça” – pregaria.

Os freeganos afirmam que, após anos tentando boicotar produtos de corporações responsáveis por violações dos direitos animais, destruição ambiental e exploração humana, perceberam que não importa o que comprarmos, de algum modo apoiaremos alguma empresa ruim. De acordo com os freeganos, o problema não é só algumas empresas e corporações, mas do sistema econômico em si.

O freeganismo é um boicote a esse suposto totalitarismo, em que a busca do lucro teria implicações éticas, e todos os produtos algum tipo de impacto prejudicial – dos quais jamais estaríamos cientes em muitos casos. Então, os freegans evitam de comprar qualquer coisa, em todos os níveis possíveis.

O termo freegano é derivado das palavras “free” e vegano. Veganos são pessoas que não consomem produtos de origem animal ou testados em animais, em um esforço para evitar a exploração animal. Os freeganos levam isso adiante, ao acreditar que em uma economia industrial, de produção em massa, movida por lucro, a exploração acontece em todos os níveis de produção (desde a aquisição da matéria-prima, à produção e ao transporte) e está presente em praticamente tudo o que compramos.

“Trabalho forçado, destruição da floresta amazônica, aquecimento global, desapropriação de terras de comunidades indígenas, poluição do ar e da água, erradicação da vida selvagem na agricultura, manipulação de políticos para o interesse das grandes corporações, destruição de montanhas pelas mineradoras, derramamento de óleo do oceano, exploração do trabalho infantil, são apenas alguns dos vários impactos dos aparentemente inocentes produtos que consumimos todos os dias.”, afirmam os freeganos.

Os freeganos adotam como estilo de vida várias estratégias que são baseadas nos seguintes princípios:

Retorno ao Natural

Os freeganos praticam o “Retorno ao Natural”, em que dizem: “Vivemos em uma sociedade onde os alimentos que comemos são cultivados a milhares de quilômetros de nossas casas, industrializados, e então transportados por longas distâncias para serem armazenados por um longo período, tudo isso a um alto custo ecológico. Por causa desse processo, perdemos a valorização das mudanças das estações e dos ciclos da vida, mas muitas pessoas estão se reconectando com a Terra através da jardinagem e da colheita silvestre.”

Os freeganos afirmam que esses “ecologistas urbanos” têm transformado lotes cheios de entulhos em lotes verdes de jardins e hortas comunitárias. Em bairros onde as lojas mais vendem alimentos industrializados do que vegetais frescos, as hortas comunitárias fornecem uma fonte saudável de alimentação. Onde o ar está sufocado com poluentes indutores de asma, as árvores nesses jardins comunitários produzem oxigênio. Em áreas dominadas por tijolos, concreto e asfalto, os jardins comunitários fornecem um oásis de plantas, espaços abertos, e locais onde as comunidades podem se reunir, trabalharem juntas, dividirem alimento, crescerem juntas, e derrubar as barreiras que mantêm as pessoas longe uma das outras, em uma sociedade onde cada vez mais estamos isolados e distantes uns dos outros.

Os chamados colhedores silvestres nos mostram que podemos nos alimentar sem os supermercados, e tratar nossas doenças sem farmácias, nos familiarizando com as plantas comestíveis e medicinais que crescem ao nosso redor. Até mesmo parques e praças podem nos fornecer alimentos e medicamentos, nos dando uma nova visão à realidade de que nosso sustento vem ultimamente não das comidas fabricadas pelas corporações, mas da própria Terra. Outras pessoas vão além disso, se tornando ferais, se mudando das cidades e centros urbanos para morarem em comunidades alternativas e ecovilas baseadas em técnicas primitivas de sobrevivência.

Transporte Ecológico

Os freeganos têm consciência dos desastrosos impactos ecológicos e sociais dos automóveis. Todos sabemos que os automóveis causam a poluição, que é criada através da queima dos combustíveis fósseis, mas normalmente ninguém pensa nos fatores destrutivos como o desmatamento de florestas para a construção de estradas onde antes havia vida selvagem e nas mortes de seres humanos e de animais. Além do mais, o atual uso intensivo do petróleo gera o estímulo econômico que acarreta guerras e mortes como as do Iraque e em todo o mundo. Por isso, os freeganos optam por não usarem carros sempre que possível. Em vez disso, usam outros métodos de transporte incluindo caminhadas, bicicleta, skate, ou caronas. A carona enche os espaços não usados do carro, logo essa prática nada adiciona ao consumo de combustíveis como um todo.

Ocupação

Os freeganos acreditam que a moradia é um direito e não um privilégio. Por isso, pregam a prática das ocupações, que são os locais onde as pessoas (os chamados “ocupas”) reabilitam imóveis abandonados e mal cuidados de modo a convertê-los em moradias ou centros comunitários com programas incluindo atividades educativas, educação ambiental, locais de encontros de organizações comunitárias etc.

Aversão pelo desperdício

Preocupados com o desperdício de materiais e energia, e também com a influência do desperdício na natureza, uma prática freegana conhecida é a colheita urbana ou mergulho em lixeiras, que consiste em buscar no lixo de varejistas, residências, escritórios, e outros locais, por bens utilizáveis, em condições razoáveis de uso, de modo a desencorajar a constante trocar do que já possuímos por produtos novos. Muitos itens utilizáveis também podem ser encontrados gratuitamente e divididos com os outros em redes de troca, como Freecycle.

Diminuição do Desperdício

Por causa das nossas frequentes coletas de lixo de nossa sociedade descartável, os freeganos estão cientes e aborrecidos pelas enormes quantidades de desperdício que um consumidor gera todos os dias, assim não querem fazer parte do problema. Por isso, os freeganos praticam a reciclagem, a compostagem, e sempre que possível consertam o que têm ao invés de jogarem fora e comprar algo novo. Tudo que é utilizável, os freeganos distribuem para seus amigos, ou doam.

Trabalhando Menos / Desemprego Voluntário

Os freeganos fazem a pergunta: “Quanto de nossas vidas nós sacrificamos para pagarmos contas e comprar mais coisas?” Para muitos dos freeganos, trabalhar significa sacrificar nossa liberdade para obedecer ordens de outros, significa estresse, chateação, monotonia e em muitos casos, arriscar nosso bem-estar físico e psicológico.

Os freeganos percebem que, “não são só alguns produtos que são ruins ou algumas companhias odiosas que são responsáveis pelos abusos sociais e ecológicos em nosso mundo, mas sim todo o sistema em que estamos trabalhando. Como trabalhadores, nós somos a engrenagem nessa máquina de violência, morte, exploração e destruição. O funcionário de um abatedouro que corta o pescoço de um boi é menos responsável pela crueldade que ocorre na criação de animais do que o funcionário da fazenda onde eles são criados? E o publicitário que descobre como fazer o produto mais aceitável? E o contador que trabalha para um açougue para fazê-lo continuar vendendo? Ou o trabalhador da indústria que fabrica os refrigeradores para conservar a carne? E é sempre, claro, o presidente das corporações que carregam toda a responsabilidade por tudo isso, por tomarem as decisões que causam toda a destruição e desperdício. Você não precisa possuir uma ação de uma corporação ou possuir uma fábrica ou uma indústria química para carregar a culpa”, são alguns dos pontos levantados pelos freeganos em relação ao trabalho.

“Sanando as necessidades básicas como alimentação, moradia, vestuário e transporte sem gastar um centavo sequer, os freeganos são capazes de reduzir enormemente ou completamente eliminar a necessidade de constantemente estarem trabalhando. Ao invés disso, eles podem dedicar o seu tempo livre cuidando de suas famílias, se voluntariando em suas comunidades, e se juntando a grupos de ativismo que lutam contra as práticas das corporações que por outro lado poderiam estar nos controlando no trabalho. Para alguns, o desemprego total é uma opção, mas limitando nossas necessidades financeiras, até mesmo aqueles de nós que precisam trabalhar podem estabelecer limites conscientes no tanto que cada um trabalha, assumindo total controle de nossas vidas, e escapando da constante pressão de ganhar um salário no final do mês. Mas, mesmo se precisamos trabalhar, não precisamos conceder total controle aos nossos patrões. O espírito freegano da cooperação também pode se estender dentro do local de trabalho, como parte de uniões trabalhistas.”

Freeganos em São Paulo… Veja

Fonte: Wikipédia

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Responses

  1. Muito interessante o texto. Mostra de forma simples, porém explicitamente objetiva uma ideia de solução mais que paleativa para a destruição progressiva (e acelerada) do planeta. Estilos de vida baseados em não-consumismo ou consumismo ao mínimo devia ser obrigatório, não uma opção.

  2. muito bom Cadú, to gostando de vêr!!!
    bjuss

  3. Show…precisa muito saber aonde encontro essas pessoas aqui no Rio de Janeiro…aguardo respostas…thais.dover-roll@hotmail,com


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